Uma primeira vez

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Sorrir

De nada sorri,
Tornei a sorrir,
Mantive o sorriso,
Dei uma gargalhada.
Comprimi os lábios,
Fechei-os,
(E todo o mundo fechou).
Controlei o mar,
Impedindo os rios de lá chegar.
Baixei as janelas,
Varri as esperanças,
E sorri.

Lúcia Rocha

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Espelho

Procurar a verdade no reflexo,
No duplo da nossa imagem.
Conhecer o eu físico,
Tentando perceber o que os outros veêm.
Reconhecer o que nos é estranho,
Sendo tão nosso.

No entanto, nada conhecemos,
A não ser um instante,
Uma fracção de segundo,
Pois logo, tudo muda.
Aquele, apenas físico,
Torna-se, novamente
Desconhecido.
E temos tido,
Diariamente,
Novos reflexos,
Novas imagens,
Novos "eus".
Somos desconhecidos a nós mesmos,
Produto do que os outros dizem ver,
não do que nós vemos.

(Fontes de inspiração: um amigo e um espelho)
Lúcia Rocha

sábado, dezembro 02, 2006

Eles só existem no sono.

SE os sonhos pudessem ser transportados...
perdiam o encanto,
a beleza,
a cor que têm no sono profundo.

De que cor são os sonhos?,
da cor do sono ou da cor do acordar?
Da cor do sono é óbvio,
pois eles não existem no acordar.
São como queimados pelos raios solares,
que fazem despertar,
até o sono mais denso.
À noite, com o escurecer, voltam...
diferentes ou iguais,
como se quiser.

Lúcia Rocha
(hoje sonhei vermelho)