Uma primeira vez

segunda-feira, agosto 28, 2006

Naquela praia...

Talvez seja este o momento ideal para criar...
Ao som das ondas do meu mar,
Ao som das ondas das suas asas,
Ao som da brisa no meu corpo.
Encontrei-te!
Tudo está pronto,
o papel, a caneta (ou o lápis) e eu.
Tudo o que procuro está aqui,
num aglomerado de sentimentos,
de cheiros,
de sons...
Não é qualquer lugar que satisfaz este vazio...
(o tempo continua a passar...)
O vento já nao é brisa,
está agora mais forte,
mas agradável,
capaz de me empurrar para as ondas...sim estas!
que eu cheiro, ouço, (ainda não sinto)...
É a hora,
é o momento em que me uno ao Universo.
O Universo está comigo,
para que tudo favoreça a sensação do meu sonho.
No entanto, o mundo, para além de mim, continua,
eu estou aqui, mas eles não.
Eles não partilham comigo o meu Mundo, porque ele é só meu!
ninguém mais o vive como eu vivo agora, neste preciso momento.
...
Veêm! não consigo explicar, não dá, não sai, é meu!
Escrevo e escrevo e nada explico...
Fico pela descrição dos factos que me cercam e me fazem sentir assim.

Uma tentativa, na praia...
Lúcia Rocha
(azul como o mar devia ser)

sexta-feira, agosto 25, 2006

Ilha do Pessegueiro - Porto Covo

Eu sei que te vi há pouco tempo, flutuando sobre o mar mais azul, mais calmo e mais lindo do mundo, mas continuo com uma vontade enorme de aí regressar e ficar para sempre...
Quem me dera uma cegonha ser, para poder a qualquer hora voar, longe daqui, e pousar nas tuas terras.
Porto Covo

quinta-feira, agosto 24, 2006

Há sempre uma primeira vez para tudo

Há sempre uma primeira vez para tudo: uma primeira vez para sorrir, uma primeira vez para chorar e uma primeira vez para arriscar; tudo tem uma primeira vez na vida.

Lúcia Rocha

quarta-feira, agosto 16, 2006

Cara metade...

Perguntei onde habitavas,
se na Terra ou no Mar,
se és fogo ou és água,
preciso de saber para te encontrar.
Comecei a procurar,
primeiro nas ondas,
depois no meu olhar,
procurei, procurei,
nada encontrei...
Até que, um dia,
entre as almas penadas desta cidade,
eu tive vaidade
de dizer AMO-TE!

Lúcia Rocha

sexta-feira, agosto 11, 2006

"Cego é aquele que não quer ver"

Há cegos neste mundo cruel,
pobres deles que querem conhecer a cor,
que querem conhecer o que está em seu redor,
mas não podem,
porque não lhes foi concebido esse privilégio.
Há cegos neste mundo cruel,
que por infeliz acidente,
perdem o que de mais ardente
conheciam antigamente:
a alegria de ver e captar as coisas pela vivacidade da sua cor.
Há cegos neste mundo cruel,
que ainda mais crueis são,
porque fingem ser cegos,
fingem para não ferir os seus egos
e continuarem impunes o seu caminho.
Na verdade,
eles serão vitimas da infelicidade,
que os cercará à frente nas suas vidas...

Lúcia Rocha

Este texto serve para a compreensão de tudo o que nos cerca, o amor, o trabalho, a escola, em tudo se aplica, a patir do momento que se tenta fugir à verdade, procurando uma outra que não existe.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Mãe

Tudo por ti eu faço,
Tudo por ti eu farei,
desde que sou o teu pequeno rebento
tu és o meu orgulho, o meu talento.
A força que ainda tenho é graças à tua paciêcia, ao teu gesto carinhoso,
tão fogoso,
tão meigo,
que me prende ao teu seio...
Nunca me abandones, pois eu não te abandonarei,
mesmo que viage para longe,
mesmo que te grite,
tudo vai ser sempre um sinal de amor,
porque eu amo-te acima de tudo nesta vida!

Amo-te mãe...
Lúcia Rocha

O Beijo

O amor já não é amor,
os beijos que trocam mudaram de cor,
assim como o camalião que muda em qualquer estação...
Como puderam arruinar-te,
transformar-te num ácido, sendo tu o maior doce da vida?
Estrangularam as ondas da tua felicidade
e roubaram, para sempre, a tua ingenuidade.

(... é o que acontece quando o beijo não é sincero.)

Lúcia Rocha

Conchas

O Sol é a luz dos meus olhos,
que vos aquece aos molhos,
depois de empurradas
pela força e fúria desnaturadas da maré.

Lúcia Rocha

segunda-feira, agosto 07, 2006

Para a cova

As folhas secas estão deitadas,
à espera que alguém as leve,
o vento, a água, o fogo;
O Vento que as empurrará para um lugar melhor,
A Água que lhes matará a sede,
O fogo que lhes acabará com a vida que tentaram conservar.
Se não fosse o homem, mais nenhum ser seria capaz de tamanho mal!
Neste momento milhares de folhas estão a gritar por socorro,
pelo conforto que as gotas mais pequenas lhes podem trazer...
As florestas são de todos, não são nossas,
não temos direito de destruir o que com tanto amor cresceu para nos servir,
quer como sombra (no verão), quer como simples ornamento deste mundo,
que a cada dia que passa se dirige para a cova.

sábado, agosto 05, 2006

Barco

Olhei para ti e pensei:
Não serás pequeno demais?
Conseguirás tu carregar tantas almas curiosas de uma vez só?
A resposta não tardou,
Mal o meu corpo em ti pousou,
O meu medo logo se refugiou
No enrolar das ondas,
Que a força da tua hélice apagou.

Sonhar

Sonhar é viver,
Sonhar é querer…
Querer, por vezes, o impossível,
Assim como viver no fundo do mar
(quem me dera)
Sonhar é ter medo
Que algo nos alcance,
Sem que tenhamos oportunidade de fugir!
Sonhar é ter curiosidade,
Curiosidade em conhecer novos caminhos,
Onde o perigo anda à espreita,
Mas toda a gente nele se deita,
Pois ele não ataca de verdade…
(ai cobardia!)
Sonhar é querer,
Por isso não queiras não sonhar,
Porque não sonhar é deixar de viver.